Nubank tem prejuízo de R$ 313 milhões em 2019 e segue em expansão

SÃO PAULO – O Nubank divulgou o balanço financeiro referente ao ano 2019. A empresa teve prejuízo contábil de R$313 milhões, um aumento de 212% em relação ao registrado em 2018.

Em meio ao prejuízo, a fintech obteve um salto na receita bruta atingindo a marca de R$2,1 bilhões – 70% a mais que no mesmo período do ano passado. Houve crescimento também na base de clientes brasileiros, que saiu de 5,9 milhões para 19,7 milhões em 2019. Uma média de 40 mil novos clientes por dia, segundo comunicado.

O banco digital destaca a queda no número de inadimplentes da carteira total acima de 90 dias, que fechou o ano em 6,6%, um recuo de 10,4% na comparação ano a ano.

As receitas de prestação de serviços e rendas de tarifa bancárias foram de R$ 1,035 bilhão em 2019.

Foco em crescimento

Avaliada em mais de US$ 10 bilhões, o Nubank não vê os prejuízos registrados em 2019 como um problema. A empresa, que expandiu sua atuação para países como México e Argentina, captou US$ 400 milhões em uma nova rodada de investimento em outubro de 2019, para desenvolver novos produtos e ampliar a sua atuação nos novos mercados.

Com mais de 12 milhões de clientes na NuConta, a carteira de empréstimo pessoal do Nubank fechou 2019 com R$254 milhões e 2 milhões de clientes elegíveis.

“Nosso resultado líquido é diretamente ligado ao nosso ritmo de crescimento: escolhemos investir, crescer e oferecer serviços a mais pessoas. Se o Nubank tivesse mantido o ritmo anterior, o resultado ajustado de 2019 seria positivo – mas, de novo, se trata de escolhas”, diz Gabriel Silva, VP de Finanças do Nubank.

Para Carlos Daltozo, head de renda variável da Eleven, o prejuízo já era esperado, pois o modelo de negócio da empresa, embora atue no mesmo mercado, é completamente diferente dos grandes bancos. “Todas essas fintechs têm licença ainda para dar prejuízo nessa fase de crescimento acelerado”, afirma.

O analista ainda pontua que, apesar de o Nubank ter acertado os investimento buscando diversificação na captação e criando novos produtos, o banco digital no longo prazo precisará  encontrar um ponto de equilíbrio para deixar de dar prejuízos milionários.

Entre os caminhos, Daltozo aponta para o mercado de crédito, que tem garantindo a margem de outros bancos digitais, como o Inter, por exemplo.  E a revisão das políticas de negócio, sobretudo na abertura de conta.

“Quando essa carteira começar a estabilizar precisa ver a consistência dessa politica de abertura de conta pra todo mundo, porque a inadimplência pode acarretar em futuros prejuízos”, afirma.

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