sobrevivente nega que ônibus tenha tentado ultrapassagem

Um dos sobreviventes do acidente que deixou mais de 40 mortos em Taguaí , interior de São Paulo , negou que ônibus que transportava funcionários da indústria têxtil estivesse tentando uma ultrapassagem no momento da colisão com o caminhão. Em entrevista ao programa Encontro, da Rede Globo, Elian Marcos, um dos trabalhadores da Stattus Jeans, disse que o ônibus tentava acelerar enquanto era contido por um veículo mais lento à sua frente, mas também afirmou que o motorista não tentou nenhuma manobra arriscada no momento em que se encontrou com o caminhão.

“Não era uma ultrapassagem, porque era uma reta, aí tinha uma subida e depois tinha uma curva. Foi só na hora que começou a curva, pra pegar a reta, que foi visto o caminhão, foi coisa de 2, 3 segundos, porque tava muito devagar os caras na nossa frente, e o ônibus nosso tava rápido, entendeu? Aí não tinha que fazer, ele ia na traseira dos caras (na frente), o mais fácil era ele tirar, e aí veio o caminhão de encontro”, explicou Elian.

Na mesma entrevista, o homem afirmou “lembrar de tudo” sobre o acidente, e disse que quase foi atingido por um pedaço da carroçaria que se desprendeu do caminhão com o impacto da colisão, atingindo a área de passageiros do ônibus.

Eu tava sentado no segundo banco do lado direito, o lugar que ficou intacto. Eu cheguei a ser lançado pra fora do ônibus, eu só vi que passou o vagão, ele passou coisa de meio metro longe de mim, pegou o pessoal da frente, pegou o meu amigo que tava do meu lado, o cara que tava atrás de mim faleceu. Foi devastando tudo. Aí eu não sei como eu fui arremessado, porque eu não peguei ferragem nenhuma, só quando eu vi eu tava na pista levantando. Aí eu olhei pros lados e tava tudo meio empoeirado, porque era um caminhão de esterco, e aí levantei meio zonzo, atordoado, e fui ver as vítimas”, contou.

“Ninguém estava de cinto”

A vítima relatou que ficou em estado de choque ao perceber a situação de seus colegas de trabalho . Ele ainda reafirmou a inocência do motorista do ônibus, apesar de outra sobrevivente ter corroborado com a teoria da ultrapassagem proibida.

“Ninguém tava de cinto, só o motorista acho, e acho que uns 90, 95% das pessoas estavam dormindo, porque a moça que sobreviveu, que tava atrás de mim, contou outra versão, mas eu vi tudo, ela falou que o motorista foi tentar ‘podar’, não é que ele foi tentar podar. Eles estão julgando o motorista, não foi o motorista que tentou ultrapassar, ele tentou tirar do ônibus que tava na nossa frente, que tinha muito mais gente”, disse.

“Eu lembro de tudo. Eu lembro que antes de chegar nesse local, eu tava dormindo no ônibus, aí eu acordei e nisso era uma curva que não dava pra ver, sabe? Eu só vi que tinha um ônibus na frente e um caminhão, muito devagar na pista. Aí o nosso ônibus tava indo e não sei se falhou o freio, mas na hora que foi chegar nesse ônibus que tava muito devagar o motorista tirou, no que ele tirou veio a carreta contra, e aí o motorista da carreta tirou, mas no que ele tirou ficou o vagão na pista ainda, pegou o vagão no ônibus, não deu tempo do cara tirar”, finalizou.

De acordo com o portal, as afirmações de Elian confirmam a versão dada pelo motorista do ônibus , que admitiu ter invadido a pista contrária da rodovia, mas negou ter tentado uma ultrapassagem, dizendo que entrou na contramão de última hora para desviar do veículo a sua frente, que freou de maneira brusca.

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